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O pentecostalismo NÃO apoia a "profecia do caos"



A pluralidade religiosa é uma realidade presente no mundo globalizado. Nesse fenômeno, as grandes religiões apresentam suas divisões que se convergem em certos pontos secundários no seguimento a que pertencem. Os evangélicos são um grupo religioso que possui várias denominações que defendem pontos secundários. Entre eles, estão os pentecostais. O movimento pentecostal é um segmento grande e completo em sua representação. Nessa grandeza do movimento, há pontos que divergem entre os pentecostais. Mas há pontos em comum, que corroboram, que seria a essência da teologia pentecostal. Vamos destacar um dos mais conhecidos entre os pentecostais: o dom de profecia (1 Coríntios 12:10). Segundo Fontes, “dom de profecia é um dom que o Espírito Santo usa para transmitir uma palavra ou revelação de Deus a alguém ou à igreja” (FERREIRA, 2021, p. 93). É uma ação soberana de Deus para manifestar esse dom para edificação do Corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12 e 13). Mas qual é a relação do dom de profecia com os pentecostais? Gonçalves responde que “o pentecostalismo, nas suas diferentes modalidades ou ondas, possui grande afinidade com os profetas bíblicos” (GONÇALVES, 2021, p. 15).

Os pentecostais creem que, da mesma forma que os profetas da antiga dispensação foram usados por Deus poderosamente, agora, na nova dispensação (a graça de Deus), Deus levanta mulheres e homens impulsionados pelo Espírito Santo para entregar uma mensagem para a igreja. Essa profecia, segundo Pearlman, “não é mecânica, mas sim, dinâmica” (PEARLMAN, 1984, p. 203). Ela é dinâmica porque Deus opera de forma sobrenatural. Sua função não é direcionar casamento ou negócios. Sua função, segundo Gutierres, é de “encorajamento (consolidação) e edificação do Corpo de Cristo” (GUTIERRES, 2018, p. 59). Além do mais, profecias que contradizem as Escrituras devem ser rejeitadas, pois o que rege a Igreja de Cristo são as Escrituras.

Infelizmente, muitos que se dizem “pentecostais” têm usurpado o dom de profecia para enganar ou manipular as pessoas, chegando a desestimular uma vida de esperança. Profecias como “faça um pix para receber uma profecia”, profecias para casamento, fechar negócios, ou predições de desgraças em um país ou localidade são alguns exemplos de má utilização da profecia. Como consequência, Deus não é glorificado e ninguém é edificado.

Em 1 Coríntios 14:29, o apóstolo Paulo ensina que a profecia precisa ser rigorosamente julgada. No entanto, na mentalidade de certos evangélicos, julgar uma profecia é visto como uma demonstração de “frieza espiritual” ou “incredulidade”. Mas as Escrituras são claras: as profecias devem ser julgadas. As profecias do caos têm sido destacadas por muitos como “avisos de Deus”. Desastres naturais, segundo esses profetas, são a ira de Deus porque o povo atingido ignorou a mensagem de Jesus. Então, pergunto: onde fica a longanimidade e a graça de Deus? Além disso, Deus não pune justos com ímpios (Gênesis 18:26). A injustiça não faz parte do vocabulário de Deus. Os desastres naturais acontecem como consequência do pecado (Gênesis 3:17) e, por falta de cuidado com a natureza, muitos desastres poderiam ter sido evitados!

Profecias de caos não são mensagens legítimas de Deus. São puramente mensagens cheias de conceitos pessimistas que não possuem nenhum vínculo com Deus. Rejeitemos essas pseudoprofecias que não são de Deus!

Referências bibliográficas:

FONTES, Ediudson. Pneumatologia – Doutrina do Espírito Santo. In: FERREIRA, Ismael (org). Teologia Sistemática Sob Ótica Pentecostal. São Paulo: Versejar Gospel, 2021.

GONÇALVES, José. O Carisma Profético e o Pentecostalismo Atual – Pressuposto para uma Práxis Carisma Autêntica. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, 1984.

SIQUEIRA, Gutierres Fernandes. Revestidos de Poder – Uma Introdução à Teologia Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

 

Ediudson Fontes é Pastor auxiliar da Assembleia de Deus – Ministério Cidade Santa no RJ. Teólogo. Pós-graduação em Ciência das Religiões. Mestrado em Teologia Sistemática. Professor de Teologia, autor das obras: “Panorama da Teologia Arminiana”, “Reforma Protestante e Pentecostalismo – A Conexão dos Cinco Solas e a Teologia Pentecostal” e “A Soteriologia na relação entre Arminianismo e Pentecostalismo”, todos publicados pela Editora Reflexão. Casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

Leia o artigo anterior: 22 de abril, Descobrimento do Brasil: Um país onde há esperança



FONTE: GUIAME


15/05/2024 – Destak Gospel

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