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Não se canse de “amontoar brasas vivas” sobre a cabeça dos seus inimigos



“Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. (Romanos 12.20)

Vamos ao contexto

Qual o sentido de amontoar “brasas vivas” sobre a cabeça do inimigo? E o que são brasas vivas no sentido bíblico? Primeiro, vamos entender o tema abordado no livro de Romanos.

Paulo começa falando sobre um padrão superior de pensamento, que não tem nada a ver com o padrão deste mundo. Entre os elementos que compõem o padrão celestial, Paulo cita a humildade, o amor, a união, a bondade, a esperança, a paciência, a hospitalidade e a paz.

Chegando perto do nosso texto-base, Paulo destaca, então, que os cristãos não devem se vingar de quem lhes fez algum mal — a quem ele chama de “inimigo”. E o apóstolo fecha o capítulo 12 dizendo: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”. (Vers. 21).

De onde Paulo retira o termo “brasas vivas sobre a cabeça”?

Originalmente, o termo vem de Provérbios 25.21-22 — um livro que foi escrito cerca de 600 anos antes de sua época. A linguagem figurada, de acordo com os comentários da Bíblia de Estudo Shedd, quer dizer “fazer o inimigo reconhecer o seu pecado, ficar envergonhado e, por fim, arrepender-se”.

Podemos entender também que as “brasas vivas” são como um sentimento de “consciência pesada”, “consciência ardendo” ou até de uma “dor mental”. A Bíblia na versão “Nova Tradução na Linguagem de Hoje” traz um termo ainda mais esclarecedor para a metáfora — “porque assim você fará o inimigo ‘queimar’ de remorso e vergonha”.

O teólogo Yago Martins, do canal Dois dedos de Teologia, explica que “as brasas vivas sobre a cabeça do inimigo são ardentes e causam a dor da vergonha” e que essa é uma forma de fazê-lo se arrepender de seus pecados.

Ele também compartilha sobre um antigo ritual egípcio de arrependimento, que algumas pessoas associam ao texto. Uma das formas ritualísticas incluía carregar um incensário de fogo na cabeça como forma de mostrar publicamente que o inimigo estava arrependido do que fez.

Porém, Yago explica que biblicamente esse exemplo é refutado, porque o livro de Provérbios indica brasas em forma de carvão e não de incensário e, além disso, o povo que praticava o ritual era de um tempo muito distante ao de Salomão, o autor de Provérbios.

Brasas vivas e juízo divino

Ainda de acordo com o teólogo, a explicação mais bíblica e lógica da metáfora “brasas vivas sobre a cabeça” tem base no Antigo Testamento — onde “brasas vivas” chamam a atenção para um aspecto de juízo divino.

“E parece ter um sentido positivo”, disse Yago ao citar o teólogo americano, PhD em Teologia, Douglas Moo que defende que “são motivações positivas para atos de bondade com os nossos inimigos”.

Ou seja, nossos atos de bondade podem produzir o arrependimento naqueles que fizeram algum mal contra nós. “A ideia é não esperar e nem desejar a vingança de forma alguma, além disso, os cristãos devem evitar o espírito de retaliação”, explicou Yago ao reforçar os pensamentos de Douglas Moo.

Sendo assim, o papel do cristão, conforme Paulo instrui, é pagar o mal com o bem, fazendo com que o nosso inimigo tenha a chance de se arrepender do que fez. Esse arrependimento começa com “pensamentos que queimam”, mas eles podem produzir duas coisas: transformação ou juízo divino.

Brasas vivas sobre a cabeça: para o bem ou para o mal?

Vai depender da atitude de quem recebeu o bem, mesmo fazendo o que é mal. A pessoa pode se sentir envergonhada, se arrepender e pedir perdão. Nesse caso, o inimigo pode se tornar um amigo.

Mas, a pessoa também pode se sentir constrangida e frustrada por não conseguir chegar ao seu objetivo real — que era fazer o mal, despertar a ira de alguém e conseguir uma grande confusão ou tragédia. Essa atitude vai revelar se a pessoa é joio ou trigo.

No caso de não arrependimento e frustração, as brasas vivas servirão para ativar o juízo divino na vida do inimigo.

“Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”. (Romanos 12.19)

Para os cristãos que seguiram a Palavra, pagando o mal com o bem, haverá apenas a retribuição divina, conforme Provérbios 25.22, que diz: “O Senhor recompensará você”.

Brasas purificadoras

O palestrante e escritor cristão, Mário Persona, também faz uma lembrança interessante sobre o que a Bíblia diz sobre “brasas vivas”, ao citar Isaías 6.5-7.

Na passagem, o profeta confessou ter os “lábios impuros” e temeu entrar na presença do Senhor. Naquele momento, ele descreveu um serafim que foi em sua direção com uma “brasa viva” tirada do altar, e purificou seus lábios.

“Talvez as brasas de fogo [citadas em Romanos e Provérbios] tivessem um significado utilitário e não fossem meros elementos de represália ou de vingança para fazer a consciência do outro queimar de dor”, considerou Persona.

Ele lembra que o fogo — nos tempos antigos e antes da criação do isqueiro e do fósforo — era conseguido com muita dificuldade. Manter as “brasas vivas” era um recurso de armazenar fogo, na forma de brasas misturadas com cinzas. “Quem tem fogão à lenha ou lareira, sabe disso. Basta soprar as brasas que elas voltam a produzir chamas”, lembrou.

Conforme o escritor, o braseiro era algo muito útil naquela época e era armazenado em vasos de barro. “Alguns comentaristas da Bíblia acreditam que essa seria a resposta para o ato de amontoar brasas de fogo sobre a cabeça do adversário, porque seria o equivalente a encher o vaso com as brasas, caso elas faltassem na casa daquela pessoa”, disse.

“Ou seja, o ato de amontoar brasas era tão utilitário quanto dar água ou comida, que são elementos tão essenciais à vida cotidiana. Enquanto não encontro uma explicação melhor para essa passagem, essa é a resposta que melhor sentido fez para mim”, disse Mário Persona.

Cuidado com a vingança disfarçada

Conforme a Bíblia, Deus sonda os nossos corações [Romanos 8.27], examina a nossa mente [Jeremias 17.10] e julga as intenções do que sentimos e pensamos [Hebreus 4.12].

Então, fazer o bem para o nosso inimigo, esperando produzir a vingança de Deus, seria o mesmo que fazer o mal de forma disfarçada — “Vou fazer o bem e Deus se vingará por mim”. Esse tipo de atitude não está de acordo com o padrão divino. A Bíblia nos inspira a sermos bons como Jesus.

“Não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”. (Gálatas 6.9,10)

“Encontramos motivação para não nos vingarmos ao saber que é Deus quem se vinga e não nós. Podemos fazer o bem de forma desprendida e quem vai pagar com justiça aos ímpios, é o Senhor. Cabe a Deus a vingança. A nós, o amor e a misericórdia aos nossos inimigos”, reforçou ainda Yago Martins.

Como devemos tratar o inimigo?

O pastor e hebraísta, Luiz Sayão, em seu programa Rota 66, também diz que “juntar brasas vivas sobre a cabeça do inimigo”, ou seja, pagar o mal com o bem é uma atitude ponderada que demonstra o amor de Jesus ao mundo e nos traz a vitória.

Desde os tempos remotos, a proposta cristã sempre foi essa e, na visão do mundo antigo, a vingança já era entendida como um impulso que levaria a uma escalada ainda maior de violência.

Quer dizer que, conforme a Cultura do Reino, não devemos buscar fazer justiça com as próprias mãos, mas devemos esperar no Senhor. Além disso, devemos compreender que o sentido do perdão é buscar em Deus que o perdoado se converta.

“A grande luta não é contra o inimigo, mas contra você mesmo. E vencer o mal com o bem só é possível quando estamos dispostos a nos humilhar”, concluiu Sayão.

“Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”. (Mateus 5.44-48)

E esse foi o estudo desta semana. Espero que tenha tirado a sua dúvida e também colaborado para o seu crescimento espiritual. Beijo no coração e até a próxima, se Deus quiser!

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: O que fizemos na Terra será exposto ‘no telão do juízo final’ perante o tribunal de Cristo?



Fonte: Guiame


15/08/2022 – Destak Gospel

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