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Irã tenta amenizar protestos reavaliando lei que obriga o uso do véu



Quase três meses após o início da onda de manifestações que abalou o Irã, em protesto à morte da jovem curda Mahsa Amini — que estava usando o hijab de forma errada — as autoridades locais anunciaram neste sábado (3) o fim da atuação da chamada “polícia moral”.

Na teoria, significa que as iranianas não serão detidas caso não estiverem usando o véu islâmico. O procurador-geral, Mohammad Jafar Montazeri, porém, disse que “estão avaliando a modificação da lei”, mas não especificou em que sentido o texto será alterado. O resultado ainda será divulgado em 15 dias.

Sobre a extinção da polícia moral ou Patrulha da Orientação, como também é conhecida, os manifestantes anti-governo duvidam, até porque o judiciário continua monitorando “ações comportamentais” na sociedade e o hijab sempre foi uma “preocupação” para os políticos religiosos. 

‘Os iranianos querem acabar com o regime’

“Os iranianos não estão apenas pedindo o fim da polícia moral. Eles querem acabar com esse regime”, explicou Alinejad, uma ativista iraniana que lamenta que “a mídia estrangeira esteja caindo na desinformação do governo do Irã.

De acordo com o Jerusalem Post, ela explica que relatos semelhantes foram divulgados durante os protestos de 2017. Além disso, há grupos antigoverno alertando sobre os “milhares de crimes contra a humanidade” que foram cometidos pelo regime ditador.

“Os aparatos de segurança do Irã e da República Islâmica são intensos, em todos os lugares, e continuam cometendo crimes contra cidadãos iranianos”, apontou o grupo hacktivista, Black Reward, que realizou uma série de operações de hackers e vazamentos em apoio aos manifestantes.

Os protestos continuam

Os manifestantes iranianos planejaram manifestações em todo o país para segunda, terça e quarta-feira, coincidindo com o Dia do Estudante, que lembra o assassinato de três universitários pela polícia durante o regime de Pahlavi, em 1953.

Os três foram mortos depois que forças policiais abriram fogo contra estudantes da Universidade de Teerã que protestavam contra o restabelecimento das relações diplomáticas com o Reino Unido.

Apesar dos protestos e das acusações, o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, disse que a República iraniana e suas fundações islâmicas estão protegidas pela Constituição, mas que “existem métodos de implementar a Constituição que podem ser flexíveis”. 

As iranianas não querem mais negociar a liberdade

A lei que tornou o véu islâmico obrigatório para todas as mulheres entrou em vigor em 1983, quatro anos após a Revolução Islâmica, que derrubou do poder a antiga monarquia apoiada pelos Estados Unidos.

A questão do véu islâmico permanece sendo um tema sensível em um país onde os conservadores insistem na obrigatoriedade, enquanto os reformistas defendem que o uso deve ser uma escolha individual.

Depois da lei que modificou as normas sobre o uso de vestimentas no Irã, acabou se tornando normal ver mulheres usando calças jeans apertadas e lenços soltos e coloridos para cobrir suas cabeças, conforme explica o DW.

Mas, em julho deste ano, Raisi, o ultraconservador, convocou as autoridades para que “todas as instituições do Estado façam valer a lei do véu islâmico”. No entanto, muitas mulheres continuaram a driblar as regras.

Em setembro, o principal partido reformista iraniano pediu o fim da obrigatoriedade. Neste sábado, o Partido Popular da União do Irã Islâmico, composto por parentes do ex-presidente reformista Mohammad Khatami, exigiu que as autoridades “preparem os elementos legais para abrir caminho para o cancelamento da lei de obrigatoriedade do hijab”.

Os oposicionistas também exigem que a República islâmica “anuncie oficialmente o fim das atividades da chamada polícia moral” e permita manifestações pacíficas. Curiosamente, o Irã acusa os Estados Unidos e seus aliados, incluindo o Reino Unido, Israel e grupos curdos com base no exterior, de fomentar os protestos nas ruas.



Fonte: Guiame


05/12/2022 – Destak Gospel

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