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Hanukkah e o Triunfo da Luz



No período de 18 a 26 de dezembro de 2022, celebra-se mais uma Festa de Hanukkah ou Festa das Luzes. Ela é mais lembrada pelo milagre da multiplicação do azeite usado para iluminar a menorá do Templo. No entanto, outro grande milagre aconteceu que foi a vitória de um pequeno grupo liderado por uma casta sacerdotal — os hasmoneus — contra o poderoso exército grego, há mais de dois milênios, na terra de Israel. Ela aponta para uma guerra semelhante que travamos em nossos dias e que representa o triunfo da luz sobre as trevas.

Hanukkah significa dedicação, consagração e possui a mesma raiz do verbo lerranech que significa educar, ensinar. Uma vida totalmente dedicada e consagrada é a melhor maneira de ensinar de modo prático às pessoas a sua volta sobre o verdadeiro serviço a Deus. Esse zelo pelo divino e de se manter santificado para Deus, enfrentando a morte se necessário, é a maior de todas as lições transmitidas pelos hasmoneus a seus compatriotas. E é também um exemplo e uma inspiração para todos ainda hoje.

Uma vitória da fé

Antes de se tornar uma batalha física, a batalha dos sacerdotes contra os gregos foi uma batalha espiritual. O ápice dessa guerra invisível foi quando Antíoco IV Epifânio, o maligno imperador selêucida, profanou o Templo de Jerusalém com uma estátua de Zeus e ofereceu sangue de porco sobre o altar. Aquilo feria profundamente a fé na Torá e o cumprimento das mitzvot (mandamentos). Para os sacerdotes zelosos do Senhor, não havia alternativa a não ser combater essa afronta até a morte.

Em termos comparativos, os israelitas não eram escravos dos gregos como foram dos egípcios; eles possuíam sua liberdade física. O problema era que os gregos queriam impor sua cultura e sua sabedoria humana contra as crenças de Israel, as quais consideravam primitivas. O assédio e a pressão contra o povo judeu foram tão fortes a ponto de muitos deles abandonarem a fé de seus pais, deixando a observância da Torá para seguir a cultura grega, tornando-se helenistas. Os gregos não se conformavam em seguir suas crenças e suas ideologias sozinhos, mas queriam impô-las a Israel.

Alguma semelhança com os tempos contemporâneos? Esse é um bom exemplo de como a História é cíclica e se repete de eras em eras. Por isso, já dizia o Pregador: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol” Eclesiastes 1:9.  

A cultura grega transferia o centro da adoração que, no judaísmo, é El Shaddai — o Deus Todo-Poderoso — para o homem. Ele é sua própria deidade. Sua sabedoria, seu conhecimento e seu hedonismo são usados para servir a si mesmo. É o homem idolatrando o próprio ego. O Deus de Abraão deveria ser removido da vida judaica e dar lugar ao deus-homem que deveria ser o centro do universo e senhor de seu destino. A essa violência espiritual e ao cancelamento de seus valores, fundamentados na Torá e nos Profetas, os sacerdotes hasmoneus disseram NÃO e estavam dispostos a morrer por isso. Com essa disposição, venceram a guerra, mesmo inferiorizados em número e em armas. Foi uma vitória da fé.

Uma luz na escuridão

A vitória dos macabeus sobre os gregos representa a vitória da luz contra as trevas. Os gregos, dominantes na arte da retórica e do uso de sofismas, buscaram convencer os judeus de que viviam em trevas e que deveriam deixá-las para seguir a luz da sabedoria e do conhecimento gregos. No entanto, tudo não passava de engodo. O contrário era verdade e assim é até hoje.

O mundo que jaz no maligno busca convencer os filhos da luz de que estão em trevas por professarem valores bíblicos e exercerem uma fé considerada antiquada, de fundamentos arcaicos para a sociedade contemporânea. O indicado a ser feito, ou o mais conveniente, é abandonar tais valores ou readaptá-los para que se encaixem nos moldes exigidos pelo modernismo social. O cenário cultural e o contexto histórico podem ser diferentes, mas a arte da retórica e o uso de sofismas são os mesmos empregados pelos gregos da antiguidade. Lembre-se, a batalha é, antes de tudo, espiritual e a História se repete. Não há nada novo debaixo do sol…

A despeito da pressão do mundo ou da corrente contrária, nunca comprometa os valores que nos foram transmitidos pela Palavra de Deus; não se deixe levar por falsos argumentos como fizeram os judeus que se helenizaram na história de Hanukkah. Mantenha firme sua posição em defesa da Palavra e da fé inabalável no Deus de Israel.

O Templo de Salomão possuía janelas largas na parte externa e estreitas na parte interna para que a luz fosse irradiada para fora do Templo e não o inverso. Isso era profético e aponta para a luz que deve irradiar de dentro de cada cristão, como ensinou Yeshua: “Vocês são a luz do mundo” (Mt 5:14).

A luz da hanukkia (menorá especial de Hanukkah) aponta para a luz da menorá do Templo. Durante a Festa, cada lar deve ter sua hanukkia na janela ou na porta de entrada, de modo a ser vista por quem passa na rua. Essa hanukkia também é profética e simboliza cada um dos discípulos do Senhor que deve emanar sua luz em todo o tempo de suas vidas. Fomos incumbidos da responsabilidade de brilhar os valores de sua Palavra e seu caráter em meio às trevas cada vez maiores de um mundo doente e perdido que caminha às cegas para o abismo.

Que a lição dos hasmoneus transmitida há mais de dois milênios nos sirva de inspiração durante a presente Festa. Que nos impulsione com a mesma coragem e fé ao enfrentarmos a mesma guerra espiritual nos dias de hoje. Combatamos o bom combate da fé sem medo, pois o Senhor dos Exércitos luta por nós. A luz sempre vence as trevas. Essa é a essência de Hanukkah.

Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor do livro A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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Fonte: Guiame


23/12/2022 – Destak Gospel

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